2.1.11

ENTREVISTA - Etiene Alveso





Etiene Alveso:

Linguagem contemporânea e multifacetada




Da nova safra de artistas plásticos do município de Serra Talhada, destacamos Etiene Alveso, uma artista de grande sensibilidade que absorve elementos do cotidiano para explorá-los na composição de formas e cores, montagens e esculturas tudo trabalhado na tela, tendendo para a abstração formal sem compromisso com o figurativo. Ela traduz algo novo, com cores, traços, formas, volume, luz, sombras próprias.
 








O estilo desta artista serra-talhadense, que utiliza uma técnica diferenciada na pintura de telas estas enche nossa visão de uma modernidade sem limites, pois ela trabalha com linguagens atuais, em variados suportes, além dos já citadso, objetos tridimensionais. O esposo da artista trabalhava com moldura e passou a investir na capacidade criadora de a partir do momento que ela não estava mais dando conta dos pedidos. Somaram técnica e arte ao trabalho e ficou perfeito. A sua produção é voltada para ornamentar salas e ambientes de auto estilo, por isso ela não participa de salões, sentenciona ela.








Helena Conserva – Você é tão Novinha. Você pinta desde quando?

Etiene Alveso – Eu já pinto a mais de 20 anos. Antes eu pintava bichinhos de gesso, aí vendia entre amiguinhas. Depois aprendi a pintura em tecido no Mercado Público. Casei-me e tive a liberdade de viajar com o meu esposo e me aperfeiçoar. Em Olinda participei de um curso com a artista plástica Tereza Pessoa. Em São Paulo fiz aulas com Douglas Frasquest, com Adriana Vanderlei, que expõe suas telas em Nova York, também fiz aulas com umas artistas do Recife que vão muito para o exterior e trazem novas técnicas. Em São Paulo participei do Concurso Arte Livre Saint Germain, o tema era, “As cores do vida”. Eu pintei um menino branco beijando a cabeça de um outro menino negro e um caracol misturando as cores primarias, como num espiral, ficou lindo, meu trabalho foi selecionada para participar da coletiva de Saint Germain.



H. C. – Que quadro lindo esse (uma tela com a flor do cacto)

E. A – Esse quadro foi um concurso que participei em São Paulo, há mais ou menos oito anos promovido pela Casa da Arte, o tema era “Belezas do Brasil”, então pintei a flor do cacto e venci o concurso. Essa imagem do cacto com as suas flores já estava nos meus planos há anos. Mas hoje Helena, eu sou reconhecida por uma outra técnica, não pinto mais assim.













H. C. – Por qual técnica você é reconhecida então?

E. A – Meu estilo não é mais esse, meu estilo é pintura com montagem, com escultura. É algo que crio na hora com pedaços de madeira que preciso repentinamente para montar uma idéia, uma inspiração. Nessas composições meu esposo é extremamente importante, ele monta, opina, aliás, em todo o meu processo da criação a venda, ele é extremamente importante. A gente combina, ele é meu outro olho, o olhar severo e crítico. É uma parceria ótima. Eu pinto, crio sem medidas e ele é perfeito nas medidas, no corte. Ele corta na hora da minha criação, se não trabalhássemos juntos, eu teria que sair para trazer a madeira cortada e sei que iria atrapalhar o meu processo de criação. Também nas vendas ele é importante, nos contatos, por exemplo, o material que uso vem todo de fora, da lona a tinta e a madeira. Temos um representante que vende minha produção em Maceió e Natal. Nós compramos um furgão, adaptamos com um pente e daí nós viajamos com a minha produção, então todos esses contatos ele articula, eu apenas crio.



H. C. – Mas Etiene por que a madeira vem de fora?

E. A – Porque nós trabalhamos com grande quantidade de madeira e ela tem que ser certinha, ás vezes vem com determinadas falhas que atrapalha na questão do encaixe. Nem toda madeira da certo, também preciso de uma largura que atenda ao padrão das minhas telas. Por todas essas questões achamos melhor comprar fora.











H. C. – O que te inspira?

E. A – Eu me inspiro em coisas tão pequena que você nem imagina, me inspiro num muro, numa calçada, num move de casa, numa sombra que vi, numa parede, é por aí.



H. C. – Você pinta com qual freqüência?

E. A – Eu pinto todos os dias Helena, eu vivo da minha arte. Eu trabalho todos os dias, mas, as encomendas superam as minhas horas de trabalho. Todos os dias eu desço para o meu ateliê e trabalho a manhã toda e a tarde também.



H. C. – Para finalizar gostaria de fazer duas perguntas: qual valor de suas telas com moldura? Em Serra Talhada tem telas suas doadas em algum lugar?

E. A – O valor oscila de trezentos reais, passando por seiscentos até mil reais.  Elas não têm molduras porque eu faço uma composição que não leva moldura, talvez até atrapalhe a moldura. Há telas minhas em diversos locais como na Geris, na São Vicente, clínicas, na Clinica da Criança, no escritório de advocacia Sá Carvalho Godoy, hotel São Cristóvão, em residências de clientes da loja de decoração Cristal etc. Mas doação eu nunca fiz porque não dou conta nem dos pedidos. Porém, aqui em Serra Talhada a loja de decoração Cristal compra a minha produção e vende bem.



H.C. – Etiene muito grata por abrir seu ateliê para nós serra-talhadenses.













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