Etiene
Alveso:
Linguagem
contemporânea e multifacetada
O estilo
desta artista serra-talhadense, que utiliza uma técnica diferenciada na pintura
de telas estas enche nossa visão de uma modernidade sem limites, pois ela
trabalha com linguagens atuais, em variados suportes, além dos já citadso,
objetos tridimensionais. O esposo da artista trabalhava com moldura e passou a
investir na capacidade criadora de a partir do momento que ela não estava mais
dando conta dos pedidos. Somaram técnica e arte ao trabalho e ficou perfeito. A
sua produção é voltada para ornamentar salas e ambientes de auto estilo, por
isso ela não participa de salões, sentenciona ela.
Helena
Conserva – Você é
tão Novinha. Você pinta desde quando?
Etiene
Alveso – Eu já
pinto a mais de 20 anos. Antes eu pintava bichinhos de gesso, aí vendia entre
amiguinhas. Depois aprendi a pintura em tecido no Mercado Público. Casei-me e
tive a liberdade de viajar com o meu esposo e me aperfeiçoar. Em Olinda
participei de um curso com a artista plástica Tereza Pessoa. Em São Paulo fiz
aulas com Douglas Frasquest, com Adriana Vanderlei, que expõe suas telas em
Nova York, também fiz aulas com umas artistas do Recife que vão muito para o
exterior e trazem novas técnicas. Em São Paulo participei do Concurso Arte
Livre Saint Germain, o tema era, “As cores do vida”. Eu pintei um menino branco
beijando a cabeça de um outro menino negro e um caracol misturando as cores
primarias, como num espiral, ficou lindo, meu trabalho foi selecionada para
participar da coletiva de Saint Germain.
H. C. – Que quadro lindo esse (uma tela
com a flor do cacto)
E. A – Esse quadro foi um concurso que
participei em São Paulo, há mais ou menos oito anos promovido pela Casa da
Arte, o tema era “Belezas do Brasil”, então pintei a flor do cacto e venci o
concurso. Essa imagem do cacto com as suas flores já estava nos meus planos há
anos. Mas hoje Helena, eu sou reconhecida por uma outra técnica, não pinto mais
assim.
H. C. – Por qual técnica você é
reconhecida então?
E. A – Meu estilo não é mais esse, meu
estilo é pintura com montagem, com escultura. É algo que crio na hora com
pedaços de madeira que preciso repentinamente para montar uma idéia, uma
inspiração. Nessas composições meu esposo é extremamente importante, ele monta,
opina, aliás, em todo o meu processo da criação a venda, ele é extremamente
importante. A gente combina, ele é meu outro olho, o olhar severo e crítico. É
uma parceria ótima. Eu pinto, crio sem medidas e ele é perfeito nas medidas, no
corte. Ele corta na hora da minha criação, se não trabalhássemos juntos, eu
teria que sair para trazer a madeira cortada e sei que iria atrapalhar o meu
processo de criação. Também nas vendas ele é importante, nos contatos, por
exemplo, o material que uso vem todo de fora, da lona a tinta e a madeira.
Temos um representante que vende minha produção em Maceió e Natal. Nós
compramos um furgão, adaptamos com um pente e daí nós viajamos com a minha
produção, então todos esses contatos ele articula, eu apenas crio.
H. C. – Mas Etiene por que a madeira vem
de fora?
E. A – Porque nós trabalhamos com
grande quantidade de madeira e ela tem que ser certinha, ás vezes vem com
determinadas falhas que atrapalha na questão do encaixe. Nem toda madeira da
certo, também preciso de uma largura que atenda ao padrão das minhas telas. Por
todas essas questões achamos melhor comprar fora.
H. C. – O que te inspira?
E. A – Eu me inspiro em coisas tão
pequena que você nem imagina, me inspiro num muro, numa calçada, num move de
casa, numa sombra que vi, numa parede, é por aí.
H. C. – Você pinta com qual
freqüência?
E. A – Eu pinto todos os dias Helena,
eu vivo da minha arte. Eu trabalho todos os dias, mas, as encomendas superam as
minhas horas de trabalho. Todos os dias eu desço para o meu ateliê e trabalho a
manhã toda e a tarde também.
H. C. – Para finalizar gostaria de fazer
duas perguntas: qual valor de suas telas com moldura? Em Serra Talhada tem
telas suas doadas em algum lugar?
E. A – O valor oscila de trezentos
reais, passando por seiscentos até mil reais. Elas não têm molduras porque
eu faço uma composição que não leva moldura, talvez até atrapalhe a moldura. Há
telas minhas em diversos locais como na Geris, na São Vicente, clínicas, na
Clinica da Criança, no escritório de advocacia Sá Carvalho Godoy, hotel São
Cristóvão, em residências de clientes da loja de decoração Cristal etc. Mas
doação eu nunca fiz porque não dou conta nem dos pedidos. Porém, aqui em Serra
Talhada a loja de decoração Cristal compra a minha produção e vende bem.
H.C. – Etiene muito grata por abrir seu
ateliê para nós serra-talhadenses.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.