22.12.10

Ainda sobre Instituto Ricardo Brennand



O Instituto Ricardo Brennand expõe ao público as 48 esculturas inéditas de cera na carnação e corpo em fibra de vidro, do julgamento do superintendente de Finanças do reinado do Rei Sol Luís XIV, Nicolau Fouquet. Os personagens de cera em tamanho natural, adquiridos pelo colecionador Ricardo Brennand num leilão em Paris, há aproximadamente um ano, são compostos por 40 esculturas masculinas e sete femininas em tamanho real e vestes condizentes com a época (1661). É como se a arrumação da sala e disposição dos personagens reproduzissem uma fotografia do momento em que ocorreu o julgamento.


Entre os presentes, além do próprio réu, o rei Luís XIV, a mulher e a mãe de Fouquet, 14 jurados, um juiz, Frans Post, D’Artagnan (um dos três mosqueteiros), o autor e comediante Moliere, frades, representantes da sociedade civil, entre outros, compõem o cenário a ser apreciado pelo público.

Nicolau Fouquet, amigo das artes, das plantas e das letras, andava cercado por artistas escritores como o poeta e fabulista la Fontaine, a escritora madame de Sèvigné, e os pintores Poussin e Puget. Foi por intermédio do Cardeal Mazarin, ministro todo poderoso do reino, que se tornou em 1653 o Superintendente das Finanças do Rei Luís XIV. No cargo, Nicolas Fouquet restabeleceu a credibilidade das finanças do reino e, gozando de privilégios econômicos, multiplicou sua fortuna tornando-se um dos homens mais ricos da França. Não demorou para que uma legião de inimigos surgissem, todos cobiçando o seu cargo. Entre os rivais de Fouquet estaria o responsável direto pela sua condenação: Jean Baptiste Colbert, que disse ao rei Sol, que havia um traidor na corte.

Aconselhado por Coubert e a fim de verificar a extensão do patrimônio de Nicolau Fouquet, o rei Luís XIV manifestou o desejo de conhecer a bela propriedade que o seu ministro erguera por 15 anos (1641 a 1656), em 40 hectares, no Vaux-le-Visconte, a 55 quilometros a sudeste de Paris. Inocente da fragilidade de sua posição, Fouquet proporcionou ,em 17 de agosto de 1661, ao rei e sua corte a maior festa ao ar livre da história da França.
Os 600 convidados vindos de Paris foram acomodados nas 700 dependências e apartamentos do Palácio e todos presenteados com um ambigu ( travessas de manjares exóticos, bandejas de carne de caça, jarras de vinho, espumantes, sucos, licores, pães quentes e cestas de frutas e um sem fim de potes de doces em calda) especialmente preparado por Vatel, um famoso maitre d’hotel da época. Como se não bastasse, ainda foram sorteados entre os convidados armas para os cavalheiros e diamantes para as damas.

Era insuportável para Luís XIV, homem vaidoso e arrogante ver tanta fartura ser exibida por alguém que hierarquicamente lhe era inferior. Portanto, três semanas depois, no dia 05 de setembro de 1661, Luiz XIV ordenou a D”Artagnan, capitão dos mosqueteiros do Rei, que prendesse Fouquet e o levasse a uma corte especial, onde foi condenado a prisão perpétua.

O motivo da punição foi não ter obedecido à razão máxima do Estado que diz que “jamais um súdito, por mais prestativo que seja, deve ofuscar o brilho de seu Rei”. Nicolau Fouquet foi aprisionado no Castelo de Pignerol nos Alpes da Sabóia de onde ele jamais saiu, falecendo em 23 de março de 1680. Diz a lenda que ele pode ter sido o homem da máscara de ferro.



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