Um homem, um saxofone e 88 anos de vida traduz uma bela forma de
convivência humana entre os serra-talhadenses e também são elementos essenciais
para um belo texto. Pois a escrita nos deu o legado de armazenar e dar a
conhecer para a posteridade a história de instituições e de vida de pessoas
como a história da vida do senhor Antonio Nogueira de Sá, que repleta de
emoções, lutas, pensamentos, conquistas, descobrimentos... enfim, constitui por
si, uma instituição na qual a arte é de superior expressão. Ele nasceu em 5 de
agosto de 1922 na Fazenda Chalé e quando a cidade construía uma identidade
através da atividade artística das filarmônicas, Nogueira descobre sua vocação
musical ainda na adolescência. Então hoje esse espaço ocupa-se de registrar
acontecimentos da sua trajetória para o engrandecimento de nossa historia.
Helena Conserva: Aos 88 anos de vida o que o senhor gostaria de faze hoje?
Antonio Nogueira: Hoje eu não gostaria, eu vou fazer durante a festa, (risos) é tocar esse instrumento chamado saxofone (mais risos). É uma paixão antiga que começou na adolescência.
H.C. – Conte um pouco dessa história.
A.N. – Eu trabalhava como agricultor com o meu pai, Manoel Antonio dos Santos conhecido como Manoel Macário e em conversa com ele um dia eu disse, pai se eu pudesse eu aprendia música. Ele disse, meu filho vá procurando se entrosar, então eu comecei devagarzinho, procurei conhecer o maestro que era Luiz Benjamim. Ele também foi o fundador da Filarmônica Vila............. Luiz de Sá foi um grande músico da Filarmônica que executava apenas dobrado. Tinha que ser bem dobrado o dobrado (risos). A filarmônica completou 100 anos e eu toquei durante 66 anos. Toquei em 66 edições da festa da padroeira.
H.C. –.Seu professor foi o maestro?
A.N. – Eu tive umas aulas com Zé de Paulino que também tocava saxofone e com Rosa Pau-ferro, Zé Gaia que tocava na filarmônica e com Zé de Paulino, que além de músico era também professor e compositor.
H.C. –. Mas na sua vida teve outra paixão não foi?
A.N. – É (risos) essa daí também foi fruto da primeira. Um dia eu fui tocar na Paraíba em Conceição e quando o caminhão que nos levava parou dentro da cidade, as pessoas se acercaram com curiosidade para ver os músicos e os instrumentos e nesse adjunto de gente uma moça olhou para mim e pensou: eu vou casar com esse “nego”. (risos). Depois o pai dela que era mestre de obras, veio pra Serra Talhada e trouxe a família, então ela conheceu uma moça que disse que era prima de um músico e quando nos apresentou era justamente eu. Nessa época eu também servia ao Exercito no Quartel de Caruaru.
H.C. –.Daí concluo que casaram-se e tiveram os meninos não foi?
A.N. – Não. Daí noivamos e Aristana levou um susto depois que eu caí no sorteio para participar da II Guerra isso em 1944. Fui me apresentar em Recife, mas a zona pertencia a Caruaru. Nós saímos daqui no ano seguinte 1945 e quando chegamos em Recife a guerra acabou. O exercito de Hitler se rendeu. Aqui em Serra Talhada soltaram muitos fogos e Aristana não sabia de nada ainda e pensou: meu Deus a Guerra Chegou em Serra Talhada (risos) mas, que nada, era o noivo que voltava e depois disso casamos e nasceram os meninos João, Paulo, Graça, Penha, Severino, Francisco, Francisca, Antonio e Dorotéia.
Seu
Nogueira também trabalhou na Prefeitura municipal de Serra Talhada, no
Ginásio Industrial Cornélio Soares e no Colégio Municipal Cônego Torres,
exercendo o comando da disciplina e da ordem que muitas vezes tentei
burlar para perambular no pátio mas, ouvia sempre uma severa voz por
detrás de mim que fazia-me voltar. Que bom revê-lo em um momento de festa
que seus filhos e netos organizam para festejar seus 88 anos de
existência. Parabéns e tudo de bom!
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