22.12.10

Lançamento de Lubião




O boi Lubião entrou na pracinha da Concha Acústica de Serra Talhada e no Espaço Marias foi recepcionado pelos Serra-talhadenses que naquela noite fria de 19 de junho de 2010 saíram do conforto dos seus lares para prestigiar o autor de Lubião. E na Coluna “Arte e Conflito” dessa edição, pretendo expressar a minha análise sobre aquele momento que, se eternizará na biografia do autor e que, nesse artigo permanecerá como fonte de pesquisa para a posteridade porque a análise dos fatos guarda fragmentos importantes da identidade de um povo. 



Tarcisio e eu no lançamento do Romance Lubião






Em um segundo momento, quando as 332 páginas da narrativa do romance forem lidas por mim, farei uma resenha e publicarei nesse espaço. A priori diremos que, a poesia e a literatura ocupam um espaço restrito no seio da sociedade brasileira e não seria diferente em Serra Talhada, município eminentemente comercial, carente de apreciadores das artes e da cultura. Repentinamente a cidade recebe o choque da modernidade e da intelectualidade com a instalação de várias faculdades com seus cursos e consequentemente com crescimento em vários seguimentos. A posteriori vemos que a cidade passa a corresponder plenamente a essa vocação moderna.







 Apesar da noite chuvosa e do frio houve um verdadeiro espetáculo de representação de um mundo para além do comércio. Começa a ser despertada uma valoração, uma mínima, mas significante valoração das pessoas para com a arte. E essa consciência não pode ser forjada, pois quem quiser acompanhar essa modernidade que vive hoje Serra Talhada, terá que valorar a arte no sentido absoluto.             Cabe aqui dizer que o número de pessoas presentes superou as minhas expectativas. Ademais, elas perambulavam pelo salão, cumprimentavam-se umas as outras, recebiam o autografo em seus livros e não se demoravam em voltar para seus lares.   Trata-se da consciência desperta e do lendário boi Lubião que como num jogo, advínhamos seu percurso, pois sua estréia já disse a que veio. O autor é membro da Academia Serra-talhadense de Letras e esta de parabéns.    (Nota de rodapé: Ifá é o mais profundo e complexo método de adivinhações das religiões africanas)



Um comentário:

  1. “Lubião” – findei hoje 30 de janeiro de 2011 as 333 páginas do romance Lubião de Tarcísio Rodrigues. Como a maioria dos autores, principalmente da época Romântica e Moderna da nossa Literatura, escreviam mesclando cultura com ficção. Histórias que se ouviam e que se liam serviam de alinhavo e pano de fundo para uma crônica, um conto, um romance, uma poesia etc. Não foi diferente com a obra lida. Mas afinal, a invenção de uma linguagem é o resultado de um exercício paciente de contemplar outras linguagens. Dizendo a mesma coisa com outras palavras: todo discurso é resultado de outros discursos. Foi prazeroso mergulhar na obra e beber da fonte literária de Rodrigues. O autor consegue conduzir o leitor - levado pelo poder da palavra - as imagens reais, e assim, à medida que lemos desenhamos os cenários e vivemos as histórias ou estórias de cada personagem, seus dramas, seus medos de uma maneira particular, próprio de cada leitor. Rodrigues consegue ser perspicaz e agressivo ao mesmo tempo, pois há cenas de pura sutileza como a morte de Mariá e inúmeras outras em que sobejai à agressividade. O romance de Rodrigues passa a ser uma amostragem da vida, um estudo de caso a ilustrar o social e o cultural, que no caso se se colorem com a matiz do regionalismo. A linguagem: o uso dos saborosos termos da linguagem regional e quotidiana - quase como numa técnica própria dos escritores nordestinos - deixa na obra literária suas marcas indeléveis. O título nos leva a uma singularidade, mas a obra reflete a generalização. Lubião - como num apelo ao mito, e na interpretação da jornalista – amalgamando-se em representação de lobisomem com Lampião.

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