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| Professor Pimpo mostrando sua coletânea de poemas no prelo |
Algumas
residências nessa cidade se destacam pelas expressões artísticas, porém
dentre as visitadas, a do professor Napoleão, conhecido de todos por
Professor Pimpo, destaca-se pela riqueza dos detalhes. Todos os móveis,
sem exceção foram trabalhados artisticamente por ele e o que nos deixa
perplexos é a riqueza dos minuciosos detalhes. Para quem convive na
residência, a arte e seus detalhes misturam-se a vivencia diária, mas
para o visitante ela salta aos olhos. A partir do início de maio o
leitor poderá conferir toda essa riqueza em detalhes no portal: www.nazismonuncamais.blogspot.com
Também há um outro detalhe, a vida desse artista e professor é um livro
aberto, rico de experiências e lições. Napoleão Simões Filho, nasceu
Fazenda Nova, perto dos Brotões bem próxima de Serra Talhada. A família
toda veio para a cidade quando ele era ainda muito pequeno. Sua mãe
viúva e sentindo-se insegura, de um lado cangaceiro e do outro a volante.
outro a volante[1].
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| A capa da mesma é de madeira toda trabalhada. Só há um exemplar, como fosse a boneca da obra |
Napoleão Simões Filho – iniciei
meus estudos em uma Escola particular ajudada pelo município que ficava onde
hoje é o Banco do nordeste, depois da admissão fui estudar no Solidônio Leite.
As professoras davam em tudo prioridade aos alunos ricos, eles ficavam todos na
frente e nós, os pobres, ficávamos lá no fundo. Eu, Dr. Luiz Careca, Arnold
Rodrigues. Os ricos eram os filhos de Erivaldo Carvalho, seu Tutu , filhos de
Enoquinha Carvalho, o que tínhamos em comum era muito respeito pelos mestres.
As professoras amavam, beijavam e abraçavam os ricos aos pobres, nada. Certo
dia Donas Estela Godoy, irmã da esposa de João Duque precisou de um aluno que
cantasse para uma apresentação, mas ninguém passou no teste dela. Os meninos
disseram que eu cantava e ela mandou me chamar e eu cantei para ela ouvir
“Jangadeiro Triste”. Passei no teste e ela disse que com minha voz tinha
certeza que eu ia ganhar os prêmios. Disse que eu me apresentasse de roupa
nova. Mas não pudemos comprar nada. Eu na vontade medonha de participar
improvisei junto com meus familiares a roupa.
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| Aqui ele mostra uma peça feita por ele, toda trabalhada artesanalmente. | | . | |
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A camisa foi a mesma da escola. Lancei mão de uma alpargata de pneu que
eu tinha e dei verniz nela, arrumaram uma meia soquete não sei aonde e a saia
de Dinha minha irmã, cortaram pra fazer a calça curta pra mim. Dinha possuía
uma saia de tropical azul. Eu fui todo enfeitado. Ficamos na fila, no sol
quente e a alpargata foi mudando de cor e ficou igual a couro de jacaré. Nesse
dia ninguém conseguiu ficar na fila, os meninos corriam para ver a alpargata e
foram chamar dona Estela, que disse: meu filho porque você não disse que não
podia comprar um sapato?. Mas você hoje vai cantar de todo jeito mesmo com essa
alpargata de couro de jacaré e vai ganhar os prêmios. Eu ganhei os prêmios:
bola, pacote de confeito e palmas. Minha apresentação foi nota dez.
Helena Conserva – (risos) Pimpo como
você é extrovertido. Sim mas me conte aí quando você terminou os estudos o que
foi fazer?
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| Todos os moveis da sua residência foram trabalhados artesanalmente por ele |
N.S.F. – Eu trabalhei na Loja Majestosa, loja de tecido. Fui
vendedor e ajudava em casa com o salário. Depois larguei a loja e iniciei o
trabalho na marcenaria e cheguei a montar uma marcenaria pra mim. Fui muito bem
conceituado, pois sempre tive tendência pra artes. Numa época muito difícil eu
estava pra São Paulo e minha irmã falou com o Sr. Argemiro Pereira e ele mandou
um recado: diga a Pimpo que eu quero que ele venha essa semana. Eu voltei, foi
quando eu ingressei no Industrial. Assumi como professor de arte e daí fui
reiniciar os estudos. Cursei História na FAFOPST, no Recife fiz pós graduação e
voltei para a FAFOPST como professor de História durante 18 anos. Graças a Deus
me apresentei bem. Trabalhei 42 anos em sala de aula, primeiro como professor
de arte no Colégio Industrial, mas tudo o que é bom dura pouco, o governo
cancelou essa disciplina de arte nas escolas. O Colégio Industrial foi uma
riqueza para o município, de lá saíram pessoas aptas na refrigeração, na
eletricidade, torneiros mecânicos, costureiras, marceneiros. Atualmente eu fiz
um pedido a Sr. Geni que já não era mais prefeito que em minha intenção falou
com Carlos Evandro, foi quando Carlos me chamou pra trabalhar. Faz um ano que
eu estou dando palestra nas 92 escolas. Eu estava na ociosidade e essa
oportunidade então, me deu prazer enorme porque eu gosto disso. Minha função é
palestrar com os pais e filhos já crescidos. Isso é
maravilhoso.
H.C. – Mas e sobre a sua produção literária?
N.S.F. – Iniciou de repente. Tudo começou quando fui visitar
o lugar onde nasci. Fui tomado de uma inspiração que quase não parava mais.
Durante esse tempo produzi sem parar, os poemas brotavam inesperadamente. Foi
uma produção intensa. Nunca tive oportunidade de publicar um livro porque o
custo é altíssimo.
H.C. – Então amigo, muito obrigada por essa tarde maravilhosa na sua
residência. Muito bom você fazer parte da cultura artística da cidade. Pois sei
que você ama a arte sem querer ser dono dela. Obrigada por ter me dado o seu
voto quando me lancei candidata a presidência da Academia, mas sob forte
pressão de opositores, que tinham medo do que eu pudesse empreender de bom para
ela, fizeram uma política suja para impedir que eu fosse eleita.
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| Então podemos dizer que todos os moveis são obra de artes |
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| Uma replica da Igreja Matriz da cidade |
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| Chamou a minha atenção para o pé dessa peça, é um centro |
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| O oratório com Nossa Senhora. Tem muitos oratórios na residência. |
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| As cadeiras, fiquei encantadas. Todas feitas pelo artista |
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| Outra santinha, delicada de mais no seu oratório |
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| Uma moldura que se sobrepõe a tela pintada na minha opinião |
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| A cristaleira |
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| Em pedra sabão uma replica na Igrejinha do Rosário |
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| Um alambique |
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| Essa é uma cadeira. Todos os moveis são de uso desde dezenas de anos |
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| Outra cadeira |
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| Uma coleção de cachaça |
PIMPO: Professor, poeta, cantor e faz arte com madeira
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