5.3.11

ENTREVISTA - Professor Jaime




















Um comentário:

  1. Professor Jaime: lapidando o próprio talento

    Quantos talentos residem na simplicidade dessa cidade. Serra Talhada é um celeiro de artistas que não se deixa atemorizar pela ausência da formação acadêmica. Quantos ainda estão na minha lista esperando registro para a posteridade. No mês de março tive o prazer de rever as obras em pintura e escultura de Professor Jaime, elas chamam a atenção do telespectador e conduzem à fruição de uma arte de rara sensibilidade e expressão. Na pintura ele usa um colorido vibrante e figuras típicas do sertão como: cangaceiro, paisagens interioranas, na escultura, também figuras sertanejas e sacras compactuando com a formação religiosa que adquiriu em convivência no seminário. São peças que dialogam prontamente com a sensibilidade humana. As obras do professor Jaime podem ser visualizadas no site http://nazismonuncamais.blogspot.com
    Jaime Gonçalves de Lima nasceu em Água branca, fazenda Gavião.

    Helena Conserva – Professor mas, como foi a ida para o seminário? Não foi vocação?
    Jaime Gonçalves de Lima – Fui visitar um primo no Convento Franciscano São Boaventura em Triunfo. Gostei do ambiente e em consonância com meu pai fui estudar junto com o meu primo, na mesma série. Eu tinha somente 12 anos. Passei apenas dois anos e fomos transferidos para o Seminário Franciscano de Ipuarana. Então o seminário era muito grande com cerca de 250 internos.

    H.C. – Aqui mesmo em Pernambuco?
    J.G.L. – Não. O Convento Ipuarana se localiza no município de Lagoa Seca, no estado da Paraíba. O Padre quando percebia que o sujeito não tinha vocação mandava de volta pra casa. Depois de 7 anos no noviciado e um ano no isolamento convivendo com a ordem depois dessa experiência no isolamento em convívio com a ordem, seguia para estudar em Olinda, dois anos de filosofia e depois pra Bahia, quatro anos de teologia. Mas no terceiro mês o padre descobriu que eu não tinha vocação e me embarcou de volta para a casa de meu pai com uma carta, depois que leu e se inteirou da minha volta meu pai disse que já havia pressentido que eu não chegaria ao fim do seminário porque nas férias nunca me viu rezando nenhum Pai Nosso. (risos)

    H.C. – Mas então, voltou para a roça
    J.G.L. – Não. Não tinha mais como viver na roça então fiquei aqui na cidade de Serra Talhada e seu Lorena, que era muito amigo de pai me orientou para escrever uma carta pra o deputado Argemiro Pereira, mas não deu em nada. Decidi viajar pra São Paulo em busca de trabalho. Lorena disse, espere mais um pouco. Então ele escreveu um bilhete e mandou-me levar para Professore Laércio que era o diretor do Colégio Industrial. Primeiro encontrei dona Lili a esposa de professor Laércio que me conduziu até ele. Após lê o bilhete ele escreveu uma lista de documento que eu deveria providenciar para um emprego no estado. Naquela época sua mãe, dona Diva, dona Marizinha, Dona Eva todos eram professoras do Colégio Industrial. Eu entrei como auxiliar de escrita na secretaria então foram surgindo oportunidades, interinidades e eu assumindo até que em 1967 eu assumi as cadeiras de português e matemática. Em 1972 fui nomeado diretor, coisa que eu nunca esperei. Primeiro eu não pensava em ser professore por achar muita responsabilidade e então agora, estava diretor. Assumi a vice direção do Colégio Metódio de Godoy por mais de 12 anos. Me aposentei pelo estado. Também lecionei na Escola Normal Matemática e Desenho e na FAFOPST. Na Faculdade também assumi a cadeira de latim, como sabiam que eu tinha estudado latim no seminário me ofereceram a cadeira. Fui diretor também da FAFOPST. Aposentei-me em 2006 pela Faculdade e pela Escola Normal.

    H.C. – Que bonita trajetória. Mas voltando para as artes para encerrarmos, quais as madeiras usada para talhar os santos?
    J.G.L. – São diversas madeira macias, boas para talhar. Nessas esculturas eu usei a Imburana de Cambão, de Cheiro e Cedro.
    H.C. – Professor, muito grata. Um abraço.

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