Júlio
César:
Visitei a
sua oficina e tive a oportunidade de sentir a sua arte com o meu olhar.
Observei o seu jogo lúdico de redesenhar a vida e reinventar o perfil das
coisas. Os elementos da sua arte são simples, ele os retira da natureza –
várias sementes, o babaçu, o licuri, macaúba, catolé, semente de palmeira,
várias toras de madeiras, grãos, barro, areia etc., – esses elementos, unidos
por suas mãos, tomam contornos e se transformam em arte.
Suas obras
são traduzidas com a perfeição dos grandes mestres.
Admirador da imagética do corpo feminino, muitas peças de mulheres
em posições sensuais enriquece e enobrece o seu acervo. São de nos
impressionar os detalhes marcantes que denotam a inteligência do autor.
Admirador da imagética do corpo feminino, muitas peças de mulheres
em posições sensuais enriquece e enobrece o seu acervo. São de nos
impressionar os detalhes marcantes que denotam a inteligência do autor.
A produção
de César é pautada numa linguagem clássica, algumas peças
surreais, mas que não se furta a enveredar pelos labirintos contemporâneos.
Cada trabalho, único, impar, nasce das mãos dele para seduzir e
impressionar o olhar do observador. Detive-me a observar, querendo entender
em cada peça como se deu a captura da imagem pelo olhar compassivo de
César, até a transformação em obra de arte, mas é algo inimaginável. Júlio
César nasceu em Serra Talhada e é médico oftalmologista. “As pessoas,
diz ele, sempre me perguntam onde eu encontro tempo para fazer tudo
isso. Eu digo que quando amamos alguma arte, encontramos tempo
para nos dedicarmos a ela. Eu acordo cedinho e venho para cá,
para a minha oficina. Daqui a algumas horas vou ser médico, mas por
enquanto estou menino, brincando.”
surreais, mas que não se furta a enveredar pelos labirintos contemporâneos.
Cada trabalho, único, impar, nasce das mãos dele para seduzir e
impressionar o olhar do observador. Detive-me a observar, querendo entender
em cada peça como se deu a captura da imagem pelo olhar compassivo de
César, até a transformação em obra de arte, mas é algo inimaginável. Júlio
César nasceu em Serra Talhada e é médico oftalmologista. “As pessoas,
diz ele, sempre me perguntam onde eu encontro tempo para fazer tudo
isso. Eu digo que quando amamos alguma arte, encontramos tempo
para nos dedicarmos a ela. Eu acordo cedinho e venho para cá,
para a minha oficina. Daqui a algumas horas vou ser médico, mas por
enquanto estou menino, brincando.”
Helena
Conserva – E você expõe, vende as peças, recebe encomenda?
Júlio César
– Já expus algumas vezes. Mas encomenda não pego não porque, aí já deixa de ser
uma paixão e passa a ser profissão.
H. C. – Você
fez algum curso de escultura? Como aprendeu a trabalhar todos esses elementos?
J. C. – Não tive orientação de ninguém. Eu leio
sobre arte. Qualquer coisa que te dá prazer você vai investindo, não é mesmo?
Observando. Experimentando. Eu descobri a modelagem ainda criança. Veja essa
talha, 1977, eu nem tinha material ainda, fiz com uma faquinha. Depois fui comprando,
comprei torno de madeira, torno mecânico, forno, e todo esse maquinário que
você ta vendo aqui. Alguns tive que inventar como essa pequena maquina que uso
para polir as sementes.
H. C. –É
quase inacreditável que essas peças tão clássicas tenham saído de elementos tão
simples, da natureza. Como é o processo do início ao final?
J. C. – Mas, até chegar aí, tem todo um processo.
Eu digo que até chegar ao forno, é um grande processo. A esses elementos
simples, da natureza eu acrescento ainda outros para chegar à qualidade.
Uso gesso, resina, areia, pó de mármore, barro, argila etc., A criação é a
modelagem, aí faço uma forma de gesso, ou eu uso o gesso ou a resina. Eu
trabalho areia com resina, pó de mármore com resina. A modelagem é a base para
a escultura e o instrumento são as mãos, há outros instrumentos que ajudam.
Trabalho também com materiais nobres como bronze, por exemplo.
H. C. – O
material não envelhece não é?
J. C. – Não,
nada envelhece. Alguns eu tenho que esperar que envelheça para usar. As
sementes precisam de um tempo. O barro quanto mais tempo guardado e temperado
melhor, na china eles guardam de uma geração para a outra.
H. C. – Dr.
Júlio obrigada por ter me recebido em seu ateliê. Não foi uma entrevista fácil
porque, você não respondia as perguntas que eu fazia sobre você, apenas lhe
interessava o fazer artístico, a obra de arte, o seu mundo. Fiquei admirada com
o tamanho do seu ateliê, a quantidade de máquinas e de coleções de madeira, de
sementes e tantas outras coisas que o torna um colecionador também. O leitor
não imagina que ainda maior do que o ateliê, é uma criação de animais para
consumo: pombo, codorna, avestruz, guiné, galinha, pato, peixe (o peixe é
ornamental) e tudo muito bem separado, acomodado e adaptado as qualidades
necessárias de reprodução. Para ajudá-lo no criatório ele conta com dois
funcionários.
O
Jornal de Serra agradece, eu também e a posteridade mais ainda. Muito mais
sucesso!
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